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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A Corja Negra: Tosquia de um Charlatão. José Caldas. Maçonaria Liberalismo Jesuitismo Polêmicas célebres.

A Corja Negra (Tosquia de um Charlatão).
José Caldas.
Livraria Chardron de Lelo & Irmão.
Porto. 1914. 411pp. Capa dura em tela editorail verde, bom estado.



José Ernesto de Sousa Caldas, n. Viana do Castelo 28 de Novembro de 1842,filho de Jacinto José de Sousa Caldas e de Isabel Matilde Pereira Marinho. Fez a maior parte dos seus estudos particularmente, e, em 1861, foi nomeado amanuense da repartição da Fazenda de Viana do Castelo e promovido, em 1876, a aspirante de primeira classe.

Em 1877, foi convidado pelo arcebispo de Braga a escrever um estudo crítico e biográfico acerca do venerável D. Fr. Bartolomeu dos Mártires e da sociedade portuguesa do seu tempo, situação que lhe permitiria libertar-se um pouco da situação de miséria em que vivia com a sua família. Como no ano seguinte o arcebispo, D. João Crisóstomo de Amorim Pessoa, intima-o a publicar de imediato a parte da obra que estivesse pronta, ao que José Caldas recusa e envia cartas ao prelado e a Camilo Castelo Branco onde relata o abuso a que estava a ser sujeito. Entretanto, em 1879, regressa às suas funções burocráticas, mas consegue que Manuel Pinheiro Chagas, em sessão da Academia das Ciências de Lisboa apresentasse uma petição a solicitar o reconhecimento do trabalho por ele desenvolvido e lhe prestasse auxílio para o conseguir concluir.

Em 1880, a Academia deliberou a favor de José Caldas e convidou-o a apresentar em Lisboa, em pleno Congresso Antropológico uma comunicação que obteve grande reconhecimento junto dos intelectuais portugueses. A sua notoriedade facilitou-lhe a ascensão na hierarquia administrativa, conseguindo a elevação a inspector de Fazenda, posição em viria a aposentar-se.

Politicamente afirma-se republicano desde bastante cedo. Integrou mesmo a comissão consultiva do Directório eleito em 1897, em Coimbra.

Jornalista e escritor autodidacta, interessado pelos temas clássicos e pela história local. Poliglota, aprendeu várias línguas como o espanhol, francês, italiano, inglês, alemão, grego e latim. O conhecimento das línguas clássicas permitiram-lhe aprofundar investigações em arquivo, cruzando dados com as mais recentes obras da historiografia portuguesa e estrangeira. Sua obra é muito marcada pelo anticlericalismo. Era um crítico acérrimo da influência dos Jesuítas na sociedade portuguesa da época. No entanto, José Caldas, manifesta uma notável erudição e um espírito de curiosidade digno de menção, sobretudo se for tida em conta a realidade portuguesa da época.


Publicou os seguintes títulos:
- Elegia. (A uma desgraçada.) ,imp. Portuguesa, Porto, 1884.
- Novo livro de leitura para as escolas primarias de Portugal e Brazil. (Ilustrado.), 3º ed, Editores Magalhães & Moniz. 1884. (Tem 45 gravuras intercaladas no texto.).
- Os Humildes, Porto, Livraria Chardron, Porto, 1900.
- Os Jesuítas e a sua influência na Actual Sociedade Portuguesa: Meio de a Conjurar, Livraria Chardron, Porto, 1901;

- História de um Fogo-Morto : (subsídios para uma história nacional) 1258-1848: Viana do Castelo (Fastos, Políticos e Militares) , Porto, Livraria Chardron, 1903;
- Margarida Pusterla. Romance por Cesar Cantu. Nottas e Tradução de José Caldas, A. M. Teixeira Editores, Lisboa, 1904.
- Benigna Verba, França Amado Editor, Coimbra, 1907;
- Cartas de Um Vencido, Casa Editora José Bastos, Lisboa, s.d. [1911];

- Fora da Terra, Lisboa, Guimarães, 1911;
- A Corja Negra (Tosquia de um charlatão), Livraria Chardron, Porto, 1914;
- D. Frei Bartolomeu dos Mártires: profana verba, Coimbra Editora, Coimbra, s.d. [1922];
- História da Origem e Estabelecimento da Bula Cruzada em Portugal, Coimbra Editora, Coimbra, 1923;
- Vinte Cartas de Camilo Castelo Branco (1876-1885), Companhia Portuguesa Editora, Porto, 1923.

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