Pesquise neste Blog

domingo, 22 de agosto de 2010

Apocalypse, Ruy. Papoula Dos Sete Reinos. 1954

Ruy Apocalypse

Papoula Dos Sete Reinos.

1954


livro em bom estado geral de conservação,coda13-x3, brochura original, escasso, não perca, saiba mais...



Ruy Apocalypse, autor, entre outros, dos livros “Crônicas da Noite” (Massao Ohno Editora, 1960), “Papoula dos Sete Reinos” e “Realejo de Minas”.

As metáforas de que se utiliza são originalíssimas e muito bem colocadas. Seus poemas destacam-se, sobretudo, pelo ritmo, pela musicalidade latente, pela espontaneidade. É difícil destacar qualquer um deles, dos seus três livros mais conhecidos, pois todos têm qualidade superior. Exemplo:


“Crônica V – Do Criador e Suas Raízes”


“Nesta argila, plasmada no silêncio,
formei teu braço esquerdo, de mentiras.
Das árvores, roubei os galhos mansos
para cobrir teu corpo e tuas iras.

Mulher, além do sal, além do espelho,
és. E rios te cortam. E, nas águas,
há braços de mil náufragos brilhando,
como espadas tebanas! Como espadas!

O rio que te clama, fez-te fonte,
o espelho que te adora fez-te lua.
Para cobrir teu rosto (céu das iras)
eu me deixo ficar, no teu enigma,
como um pastor, dormindo sobre o monte,
sonhado pelo azul, em sons de lira”.


Outro:



“Crônica VIII – Da Transfiguração Necessária”.


“Que as horas chorem fora das vidraças,
construindo seus musgos sobre os mastros
de velhos casarios alumbrados
e derradeiras praças penitentes.

Que os bairros mais burgueses alinhavem
suas rendas de chá, em velhas xícaras.
Que o sono seja grande e seja amargo
aos que amaram o amor, perdendo a sorte...
para que tudo nasça das idéias
que os ventos espalharam nas migalhas
de luzes e de carnes assombradas.

Do amanhã, outras vozes serão vindas;
e do agora, outros céus serão nascidos,
além do olhar das lâmpadas caídas”.



E esse:



“Costas de meu ser”:


Em mim eu pouco estou porque não quero
surgir em meio a dor, nuzinho em pêlo.
Hoje, curvado venho ao que eu espero
achar dentro do corpo, para crê-lo.

Rasguei os envelopes. Fui sincero.
Perdi os compromissos, mais o selo
da carta do que sou, no que me gero,
cada noite sem ar, pelo degelo.

Pouco me leio. Pouco me carteio.
Com o que fui por culpa de meus muros.
Perdi-me sem resposta nos escuros.

Em mim eu pouco estou. Tenho receio
de chegar a meus quartos e de ler
linha por linha, as costas de meu ser.

Interessantes, também, são seus versos curtos, quase aforismos, repletos de lirismo e de beleza, como este poema “Taça da manhã”:


Estouram flores
Na garrafa das árvores
--- Há borbulhas de aves
na taça da manhã.
Ou como este “Rodas do sol”:


Velocípedes vermelhos
pedalam, pedalam,
com as rodas do sol.
Ou como este “Cordas de luz”:


E na sanfona do dia,
crianças sonoras
pulam cordas de luz!


Ruy Apocalypse, poeta e cronista mineiro (1934-1967), radicado em São Paulo, era um boêmio inveterado, morava só, na Rua Conselheiro Nébias, e o isolamento da grande cidade o induziu ao alcoolismo descontrolado e crônico que lhe acarretou diversos problemas profissionais. Em uma madrugada, atirou-se debaixo de um ônibus.

Temos um vasto acervo sobre essa bibliografia temática.

Toda postagem pode ser rastreada pelo site dos Correios.

CASO HAJA INTERESSE NESSE LIVRO OU EM NOSSO SERVIÇO, ENVIE UM E-MAIL PARA

philolibrorum@yahoo.com.br


Esta Página visa contribuir, com a localização de livros escassos, aos estudiosos das diversas ciências e áreas de estudo ou mesmo hobbies. Sobretudo as publicações já fora de comércio, antigas, esgotadas.

2 comentários:

  1. era meu tio irmao de minha mae e tive o prazer mesmo menino de ouvir seus poemas em minha casa.meu nome e rubens apocalypse

    ResponderExcluir