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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Terra Natal Roque Callage O Globo 1920 Terra natal. Aspectos e impressões do Rio Grande do Sul.

Terra Natal: Terra natal. Aspectos e impressões do Rio Grande do Sul.

Roque Callage

Porto Alegre: Barcellos, Bertaso & C.

1920


Livro em bom estado geral de conservação, contém grifos feitos pelo antigo dono, nada que ataraplhe o bom aproveitamento e leitura dessa interessantíssima obra. Escasso, coda13,5x,não perca, saiba mais.


O jornalista e escritor regional Roque Callage adepto da valorização da identidade gaúcha a partir de uma perspectiva comparativa. Na visão de Callage, o tipo brasileiro mais representativo era o caboclo, exemplar, no entanto, de uma formação étnica imperfeita e ainda em curso. Sua descrição do mestiço indígena sertanejo recorda as de Monteiro Lobato e Euclides da Cunha, sem a relativização que o higienismo trouxe ao primeiro e sem a observação de caracteres positivos na gênese do homem do sertão, como no caso do segundo – estes autores são, aliás, citados pelo próprio Callage. As expressões que o escritor utiliza, para definir o sertanejo, não dão margem a sutilezas:

“única mancha que afeia a beleza incomparável do sertão”,
“o esboço de um derrotado”,
“um vencido antes da luta”,
“figura sorna” que não teria experimentado nenhuma evolução ao longo da história brasileira, e que não teria sabido converter em riqueza material a imensa fonte de prosperidade representada pelas matas brasileiras.

Este seria apenas um exemplo específico no caso geral da mestiçagem no país, mescla de tipos “inferiores” iniciada com o consórcio entre os criminosos degredados de Portugal e os tipos nativos, “mistura mórbida” que teria o caboclo como resultado.
Inversamente, em sua opinião, o tipo regional gaúcho é um depositário das mais nobres virtudes, embora formado pelos mesmos elementos raciais – indígena e “branco suspeito”.

O gaúcho, ao contrário, seria o fruto de outro ambiente, mais saudável, porém menos abundante. Além disto, seus horizontes são amplos, o que daria a ele perspectivas seguras, espantando o temor. “O piraguara sertanista dos roçados fala de cócoras, tímido, indeciso, num resfolegar de raça desfibrada; o ‘guasca’ campeiro, responde de pé, ligeiro e petulante.” A lida na guerra e no campo e a intimidade com o cavalo na vida do gaúcho teriam favorecido o desenvolvimento de um físico ágil e de um espírito intrépido, dotado de iniciativa e de constância: eis, renovado, o mito do “centauro dos pampas”. Soma-se a estas idéias a observação da influência positiva da imigração européia, que estaria criando um novo tipo, “uma nova energia triunfante”: o colono gaúcho, que substituíra a guerra pelo esforço sistemático em busca do conforto material.





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Roque Callage (Santa Maria, Rio Grande do Sul, 15 de dezembro de 1888 — Porto Alegre, 23 de maio de 1931) foi um escritor e jornalista brasileiro.


Filho de Maria Cândida Leal de Oliveira e do imigrante italiano "Luis" Callage. Influenciado pela leitura de Eça de Queirós,ainda na adolescência, fundou o jornal "O Estudante" e logo após "O Bohemio", ambos sem grande êxito ao público.


Em 1908, com apenas 22 anos, obtém a publicação de seu primeiro livro, "Prosas de Ontem". O livro é considerado fraco, inclusive pelo próprio autor.

Curiosamente, num gesto de autocrítica, procurou ao longo de sua vida, recolher todos os exemplares em circulação, existindo mesmo um que dedicava a si próprio "pelas asneiras que escreveu".

Todavia tal livro hoje,na edição original, é considerado raridade bibliográfica, supondo-se existirem apenas três exemplares.

Mais amadurecido, consolidou seu perfil de escritor de temática regional através da publicação de "Escombros" 1910,seguido de "Terra Gaúcha"(1914),de "Crônicas e Contos" (1920) e "Terra Natal" (1920), "Vocabulário Gaúcho" (1926), "Quero-Quero" (1927) e "No Fogão do Gaúcho" (1929),editados pela Livraria do Globo.

Participou ativamente, como jornalista e intelectual, nos eventos da Revolução de 1923 no Rio Grande do Sul, iniciados com a candidatura de Assis Brasil, que desafiara as sucessivas reeleições de Borges de Medeiros. Em virtude de sua aberta postura oposicionista,expressa pela imprensa,foi determinada sua detenção pelas autoridades estaduais. Liberado,acompanhou as colunas revolucionárias pelo interior do Rio Grande, enviando notas para a publicação jornalística na capital.

Dessas reportagens resultaria o livro "O Drama das Coxilhas.Episódios da Revolução",pungente relato de episódios do levante armado que visava impedir a posse de Borges de Medeiros no governo do estado. Para escapar da censura, o livro foi publicado em São Paulo,por Monteiro Lobato, e continha um veemente apelo pela intervenção federal naquele estado.

Com a pacificação retornou às suas atividades na imprensa, publicando diariamente no Correio do Povo e no Diário de Notícias a coluna jornalística "A Cidade" sobre a cena urbana,humana e literária de Porto Alegre,caracterizando-se como irônico crítico do Modernismo.

Publicou ainda "Episódios da Revolução de 1930".Foi fundador da 1° Associação Riograndense de Imprensa do Rio Grande do Sul e do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul.

Faleceu em 1931, aos 45 anos, vítima de tuberculose.

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