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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O SERTÃO CARL0TA CARVALHO 1924 Maranhão Maranhense O SERTÃO 1924

O SERTÃO CARL0TA CARVALHO 1924 Maranhão Maranhense
O SERTÃO

CARL0TA CARVALHO

1924


O sertão: subsídios para uma a história e geografia do Brasil. A primeira edição, 1924,
publicada no Rio de Janeiro, mas sem reconhecimento no Estado do Maranhão, estado natal da autora.


O maior livro, o mais sério, o mais autêntico, o mais profundo, o mais atual, já escrito por um maranhense em todos os tempos, livro que nasceu da vida e não das elucubrações intelectuais de gabinetes poeirentos. Ele nasceu na poeira das viagens e peregrinações que sua autora e seu irmão Parsondas Carvalho fizeram pelo interior do Estado, que palmilharam de fazenda em fazenda, de rio em rio, de serra em serra, estudando o curso dos grandes rios como o Tocantins, o Farinha, o Balsas, suas cachoeiras e as "serras" que compõem o território maranhense, descrevendo de maneira científica e completa a topografia dos nossos sertões.

Mas não fica aí a obra de Carlota Carvalho: ela descreve o povoamento feito de forma violenta e sanguinária, pelo branco movido pela cobiça desenfreada; o caráter dos primeiros colonizadores e a natureza ingênua e humilde da maioria dos índios, sempre enganados, usados violentamente e exterminados.
Descreve também o nascimento e o desenvolvimentos dos núcleos urbanos, suas personalidades mais importantes, seu trabalho, seu progresso intelectual. Cidade por cidade, incluindo ainda Tocantinópolis (TO) e Marabá (PA), ambas colonizadas por maranhenses.
Finalmente, o livro analisa de forma corajosa e verdadeira o que foi realmente a "Independência do Brasil", com os patriotas perseguidos, mortos ou tangidos para o interior e, no Maranhão, os elementos ligados à Coroa Portuguesa mandando na Província o Lord Cockrane, com ordens de D. Pedro I, saqueando tudo em proveito próprio, o que deu origem à maior luta armada dos sertões maranhenses - a Balaiada; e no rio Grande do Sul, a Farroupilha.
O livro é tão forte, tão sério, tão importante que foi editado sob o patrocínio da Academia Brasileira de Letras e da Associação Brasileira de Imprensa, sem necessidade de nenhum pistolão de político maranhense. Seus patrocinadores, no Rio de Janeiro, foram os intelectuais Manoel Nogueira da Silva, Irineu Velloso, Raul Pederneiras, o acadêmico Luiz Murat, o senador Tobias Monteiro, quando da estada de Carlota Carvalho no Rio de Janeiro.






A primeira parte da obra é composta por três capítulos: O sertão, Teoria Geológica e Da Independência á Revolução. Nesta ela tenta suprir a Geografia Física do
Estado do Maranhão, dando-nos uma contribuição magistral sobre a hidrografia do Estado
e, particularmente, sobre a geografia fluvial, dos altos sertões maranhenses. Ela antecede o
processo de povoamento do grande sertão, designado por Pastos Bons. Nem o trabalho
pioneiro do Major Francisco de Paula Ribeiro publicado em 1847 e 1848 na revista do
Instituto Histórico e Geográfico do Brasil traz tanto detalhe quando a sua obra.

Na segunda parte de O sertão, ela dá ênfase aos fatos relativos as cidades de Imperatriz no Maranhão, Marabá no Pará e a foz do rio Amazonas. Ao lado das descrições geográficas desses locais ela apresenta fatos históricos e faz um exame das condições políticas da época. Complementa esses aspectos com um desabafo, cujo eco se faz presente.

No Brasil, a educação colonial não conduz a esses surtos. Falta ao povo
consciente, capaz de discernir o que é sério, julgar e condenar a criminosa ou a estúpida
aplicação do dinheiro que dele é extorquido a título- bem geral de todos. Falta a idéia do
dever e a instituição da autoridade da coletividade para fiscalizar Falta até a instituição do
bem público.

Nesta passagem ela se refere à desobstrução do Rio Tocantins, que banha os
dois municípios estudados. Obras que considerava banais para que o rio pudesse se
transformar em importante via comercial, não se realizando pela incompetência dos
governos e despolitização do povo.

A terceira parte consta das anotações da viagem que empreendeu do Maranhão
para o Rio de Janeiro, a bordo do paquete Acre em 1919. Neste capitulo o coração é quem
fala, buscando identificação com as coisas do sertão.

Um comentário:

  1. Solicito informações sobre se há exemplar à venda dessa edição desse livro.

    EDMILSON SANCHES
    edmilsonsanches@uol.com.br

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