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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O Caboclo Bernardo o Naufrágio do Imperial Marinheiro Norbertino Bahiense Capixaba Marinha Herói Espirito Santo




O Caboclo Bernardo o Naufrágio do Imperial Marinheiro

Norbertino Bahiense

editora: O Cruzeiro

ano: 1971


O naufrágio do "Imperial Marinheiro" e outros - Rio Doce. 2a edição revista e consideravelmente aumentada. 242 pg.


Livro em bom estado de conservação, capa dura,couro,coda13-x4, escasso, não perca, saiba mais ....


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O Cruzador "Imperial Marinheiro", construído em Ponta d'Areia (R.J.). O início de sua construção deu-se em 11/08/1882 e foi lançado ao mar em 20/06/1883. Possuía um comprimento de 50,63 m., uma boca de 8,24 m. e um calado de 3,4 m., tendo um deslocamento de 726 toneladas.

Com seu meio de propulsão misto ( velame com 3 mastros e máquina a vapor de 150 cavalos ) atingia uma velocidade de cruzeiro de 11 milhas/hora. Seu armamento era formado por 7 canhões de 32 mm. e 4 metralhadoras.

Em 1887, atendendo a apelos provenientes da França, motivados por toques, por parte de paquetes franceses, na região dos Abrolhos, o governo imperial envia o Cruzador "Imperial Marinheiro" da Marinha de Guerra para sondar, localizar e marcar os pontos de risco à navegação naquela área do mar baiano.

Tendo partido do Rio de Janeiro em 5 de Setembro, com uma tripulação de 142 homens e comandado pelo Capitão Tenente João Carlos da Fonseca Pereira Pinto, encontrava-se, na madrugada do dia 7, navegando rumo NNE na costa do Espírito Santo, mais precisamente na altura da foz do rio Doce.

Sua derrota era muito próxima da costa, tão próxima que, às 1:30 horas, chocou-se contra o pontal sul da Barra, a duas milhas da desembocadura do rio, defronte à povoação de Regência.

Tendo o choque ocorrido de madrugada, grande parte da tripulação foi acordada de sobressalto e tentou, desesperadamente salvar a embarcação mas, vendo que as ondas investiam de forma furiosa e de que seriam infrutíferas as tentativas de salvar o Cruzador, buscaram manter-se vivos subindo nos pontos mais altos.

Um escaler foi, com 12 tripulantes, lançado ao mar na tentativa de chegar à terra mas este se despedaçou antes de atingir a praia e um dos tripulantes se afogou. Nadando, os outros, chegam à terra e buscam socorro. Alertando o patrão-mor da Barra é levado o material para a tentativa de salvamento mas pouco pode ser feito pois não haviam embarcações e ainda reinava a escuridão.

Com o amanhecer era crítica a situação pois, mesmo estando próximo da praia (cerca de 150m. ) as tentativas de resgate eram dificultadas pelas condições do mar. Esta tragédia seria de grandes proporções se não fosse a presença de espírito de um pescador, o caboclo Bernardo ( Bernardo José dos Santos ), que conseguiu levar, nadando, depois de ter sido repelido para a praia por quatro vezes, uma linha de pesca ( presa à cintura segundo alguns e, segundo outros: na boca ) pela qual foi puxado um cabo de vaivém.

Inicialmente os náufragos são puxados para a praia agarrados ao cabo, mesmo assim 10 não conseguem chegar e morrem afogados. Uma pequena embarcação (uma chalana) é então utilizada, transportando duas pessoas por vez e, os 13 últimos náufragos sobreviventes são trazidos numa jangada construída com destroços do Cruzador.

No total, 128 pessoas foram salvas e 14 pereceram nas 5 horas em que duraram as tentativas de resgate. Diversas hipóteses surgiram quanto as causas do naufrágio: variação da bússola, erro de cálculo ou observação. Em sua defesa, o Comandante Pereira Pinto afirmou que o sinistro ocorrera devido à forte correnteza ( em suas palavras "Desvio nas águas") e, no processo que ocorreu foram absolvidos todos os oficiais.

Vários foram os que demonstraram atos heróicos durante o naufrágio mas o que mais recebeu homenagens foi o caboclo Bernardo, que foi levado até o Rio de Janeiro onde recebeu uma medalha, por parte da Imperial Regente, Princesa Isabel. Esta medalha, com 25 gramas de ouro, foi vendida em 1914, por sua esposa, quando do assassinato do caboclo Bernardo, que já naquele tempo havia caído no esquecimento.


Bernardo nasceu na barra do rio Doce, no ano de 1859. Era filho de Manuel dos Santos, apelidado Manduca, e de Carolina dos Santos, ambos descendentes diretos dos grupos indígenas que habitaram a região . Cabelos lisos, pele bronzeada, estatura média, uma calça surrada dobrada até abaixo dos joelhos, os pés descalços, descrito nos jornais não como um indígena aculturado ou civilizado, mas como “vistoso tipo de pura raça brasílica .” Ele sabia, como homem habituado a viver do mar, a influência da lua nas marés, o local exato onde havia um cardume e localizar a posição do canal de entrada do mar para o rio, que mudava a cada dia devido aos movimentos dos bancos de areia. Daí o fato de conseguir atravessar as águas e buscar o cabo que ligava ao navio. Seu dia a dia lhe permitia tal esforço, visto que estava acostumado a fazer exercícios diários para a sua própria sobrevivência.


A partir de então, o Caboclo Bernardo teve a descrição de seus feitos multiplicada. Primeiro nos jornais capixabas, depois em publicações do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, na obra de Norbertino Bahiense e em texto de Rubem Braga, editado pela Secretaria de Estado da Educação e Cultura. Desse momento em diante, a sua história esteve vinculada a este acontecimento. Até a sua morte, as suas posições na vida foram debatidas sempre em confronto com o fato de ter sido ele, por alguns dias, um herói.


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