Pesquise neste Blog

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Smith Do Rio de Janeiro a Cuiabá Notas de um naturalista Capistrano de Abreu Prefácio notas. Matogrosso Antigo História etc Karl von den Steinen

Herbert H. Smith

Do Rio de Janeiro a Cuiabá. Notas de um naturalista.

São Paulo: Cia. Melhoramentos,

1922.


Livro em bom estado de conservação, capa em brochura original bem conservado e protegido por adesivo do tipo contact, escasso, não perca. saiba mais...

Um clássico. João Capistrano de Abreu Prefácio e notas. Com um capítulo de Carlos von den Steinen sobre a capital de Matto Grosso.. Cayeiras, SP; Rio de Janeiro: Melhoramentos, 1922.




Durante sua viagem, escreve o relato intitulado Do Rio de Janeiro a Cuiabá. Notas de um naturalista. Em meio ao estudo de questões geológicas, observações sobre o papel da
umidade em relação com montanhas e florestas, Smith aponta o desperdício de capital na
construção da estrada de ferro Paranaguá a Curitiba, construída para determinados capitalistas
obterem dinheiro.
E adiante fala da imigração para o Brasil e das adequadas condições de vida dos imigrantes em São Paulo. Durante o século XIX inúmeros navios aportaram em São Paulo trazendo imigrantes
para trabalhar em fazendas de café no interior paulista, a princípio sob o sistema de parceria.
A vinda dos imigrantes foi um fator de extrema importância para o quadro econômico
paulista, pois estes trabalhadores estavam concentrados no setor da economia de maior
destaque e valor monetário: a produção do café.



Os incidentes e cenas pitorescas são uma constante na vida dos passageiros e tripulantes a bordo das embarcações. Durante as viagens, principalmente de Corumbá a Cáceres, ou de Corumbá a Cuiabá, os barcos estavam quase sempre lotados e incidentes aconteciam com freqüência. Herbert Smith conta que, certa feita, o barco Coxipó estava tão lotado que, na hora de dormir, os passageiros se aglomeravam em camas e redes espalhadas por todo o salão e, lá pelas tantas da noite, uma rede mal armada cedeu e a pessoa que nela estava caiu em cima de outra que estava deitada embaixo. Em outro trecho, narra que um passageiro dormiu no banheiro, dentro da bacia, e que mesmo com as pancadas e coices na porta ele não acordou, sendo necessário que um criado subisse pela janela e o acordasse. Isso causou um tremendo alvoroço, porque o banho a bordo dessas embarcações, mesmo para os passageiros da primeira classe, era um verdadeiro ato de penitência, ficava-se uma hora na fila, em frente à porta do único banheiro, com toalha e roupas nas mãos até chegar a sua vez.


"As garças brancas eram tantas que nos lembravam flocos de neve a revolutear em uma tempestade de inverno no norte; com elas estavam colhereiras cor-de-rosa, socós azulados, e grandes tuiuiús de cabeça preta. Lembra-me um descampado por onde passamos ao pôr-do-sol, onde estavam pelo menos umas vinte mil destas grandes aves, formando um espetáculo como nunca vira antes".

Durante as horas livres, e talvez seduzidos pela paisagem, os passageiros desenvolviam pequenos romances. Herbert Smith, por exemplo, narra uma cena entre um casal de imigrantes italianos durante a viagem:

“ela vestida com um corpete cor de púrpura sobre o vestido branco de saia curta e os cabelos negros com pesadas tranças, num gracioso penteado italiano. Senta-se ao seu lado um jovem e belo rapaz usando uma jaqueta curta, calções à altura do joelho, sapatos grossos e chapéu cônico de feltro. Ao dirigir-lhe rapidamente a fala em seu italiano tão doce, ela permanece com os olhos baixos e a face muda de cor. Ele lhe toma a mão, ela meio que retira, e depois deixa-a ficar; então levanta os olhos para os dele com um sorriso. Em seguida, salta e corre antes que lhe tome mais liberdade”.



Capistrano de Abreu, que nunca empreendeu uma viagem de pesquisa e serviu-se do auxílio de informantes nativos enviados para a sua companhia, ganhou admiração por seu trabalho de gabinete. Parte das horas passadas em sua “rede-escrivaninha” de erudito foram dedicadas à tradução para o português de textos de Karl von den Steinen (1855-1929) e de Paul Ehrenreich (1855-1914), que renovaram a etnografia sul-americana.

O texto de Steinen foi publicado como apêndice a "Do Rio de Janeiro a Cuyabá" do norte-americano Herbert Smith (1851−1919), texto também passado por Capistrano de Abreu para o Português. Sua atuação como tradutor tornou acessíveis ao público brasileiro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário