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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Badariotti, Nicolaó.. Exploração no norte de Mato Grosso, região do Alto Paraguay e Planalto dos Parecis. São Paulo: Escola Typ. Salesiana, 1898

Badariotti, Nicolao

Exploração no norte de Mato Grosso, região do Alto Paraguay e Planalto dos
Parecis.

Apontamentos de História Natural, Etnographia, Geographia e impressões.

Cuiabá: Biblioteca Katukulosu - Missão Anchieta, 1898 - Escola Typographica. Salesiana,

1898

Livro em capa dura original, tela com relevo, mapa, bom estado de conservação,coda1bx24, escasso, não perca, saiba mais ...




É de BADARIOTTI o primeiro registro escrito de todos os tempos sobre a

representação da Serra do Tapirapuã do final do século XIX. Ele descreveu com bastante

riqueza de detalhes o ambiente e, inclusive, traçou comparações com locais conhecidos do

Rio de Janeiro e de São Paulo. O padre salesiano descreveu a serra como um imenso degrau,

formando um grande planalto que se inclina para o norte, originando duas vertentes, a do

oeste que dá origem ao rio Sepotuba e a do leste, que forma o rio São Francisco, os dois

rios, conforme ele, são afluentes do Paraguai. Sendo assim, definiu geograficamente a Serra

do Tapirapuã: “... portanto a serra do Tapirapuam pertence inteiramente à bacia do

Paraguay e nada tem que ver com o planalto de Parecis e menos ainda com o Amazonas”.

BADARIOTTI define cartograficamente alguns rios da bacia do Paraguai, talvez elementos

de discussão na época.




"Maneja admiravelmente a espingarda que lhe demos; arremeda a caça, seja onça, veado, ou siry-ema até ter certeza de não falhar o tiro.Também elle não perdeu um cartucho e quasi todos os dias na volta do campo ou da matta nos trazia de que variar a nossa comida. E susceptivel de affeiçção e sensível aos benefícios..."




Foi a partir de fins do século XIX que os contatos dos Umutina com a sociedade nacional em expansão tiveram seus lances mais dramáticos, havendo lutas e mortes de parte a parte. Segundo Nicolau Badariotti, escrevendo em 1898, era intenção do governo de Mato Grosso organizar uma expedição de extermínio contra esses índios, dada a resistência que impunham à penetração de não índios em suas terras.



No século XIX, Nicolau Badariotti, acompanhou durante cinco meses uma expedição de exploração das matas de borracha, percorrendo o território dos Paresi no noroeste de Diamantino. Os
seus dados demonstram que os índios ocupavam um vasto território, que limitava “ao sul, com a Serra de Tapirapuãn e a nação dos Barbados [os Umutina]; a leste, com o município de Diamantino e a bacia do rio Arinos; ao norte com o território dos Cabexins e dos Tapanhunas, a oeste com o rio Juruena e o território dos Cabaçaes”.

Ele foi o viajante que mais se aproximou dos Paresi, que depois seriam encontrados pelo Marechal Rondon, na construção das linhas telegráficas.

Sua função na expedição era, justamente, contatar os índios, facilitando assim a penetração da frente da borracha. A 20 léguas de Diamantino encontrou uma aldeia cujo chefe Paresi chamava-se Cyriaco, criticado pelos outros índios por se comunicar muito com os “civilizados”.



A expedição de Badariotti foi promovida por um Banco (Banco “Rio-Mato Grosso”), com um fim muito
específico: a exploração do norte, onde, “suppunham-se incontestáveis riquezas
naturaes, mormente a abundância de seringa ou borracha”.

Ele registrou em sua memória as “malócas” Paresi que encontrou pelo caminho, com o nome do seu chefe, que às vezes ele batizava e trocava.

Ao chegar na cabeceira do rio Kágado - ou Wazuliátia sewe, onde o Marechal Rondon plantou, menos de uma década depois, a estação telegráfica “Parecis” - em companhia do guia Zozoiaçá, encontrou a aldeia de Zoariariri (ou Zozoariariri), um grande chefe Paresi.

Com Zozoariariri e sua mãe, aproveitou para resolver, como disse, uma importante “questão de
hydrographia”:

“Traçei um risco no chão e indiquei o rio que corria perto da malóca: traçei ainda um outro risco que fiz convergir para o primeiro e disse: Xacuruhina [quer dizer: Sakuriu winã, a cabeceira do rio Sucuruína - nos mapas de hoje], prolongando-o depois ao oeste o fiz encontrar com um outro rio, que chamei Juruena. O cacique aprovou o meu dizer e a mãe d´elle aproximando-se mostrou-se muito satisfeita acenando-me que eu tinha acertado. Estava resolvida uma questão de hydrographia: o Xucuruhina é pois afluente do Juruena e não do Arinos, como querem alguns autores.”



Mais do que uma simples curiosidade sobre a hidrografia da região, é possível ver, nesta passagem da narrativa de Badariotti, que os índios não tinham noção da grandiosidade da invasão que iria acontecer, definitiva e acelerada, desde o final do século XIX, em busca dos seringais do Juruena e Arinos.



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2 comentários:

  1. Boa noite. Gostaria de obter o livro do Padre Nicolao Badariotti. Aguardo o contato

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