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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A Família Prado Darrell E. Levi genealogia paulista linhagens familiares linhagistas café história política etc

A Família Prado

Darrell E. Levi

editora: Cultura 70

ano: 1977

descrição: Genealogia - Brochura de 357 páginas, em bom estado de conservação, brochura original, escasso, aproveite.

Veridiana Valeria Prado (1825-1910), filha do Barão de Iguape, António, desposou Martinho da Silva Prado (1811-1891) e teve quatro filhos, destinados a desenvolver um papel influente na vida brasileira:

António (1840-1929),
Martinico (1843-1906),
Caio (1853-1889)
e Eduardo (1860-1901).

Verdadeira "matriarca" da família, morreu em 1910 aos 85 anos de idade.

Os Prado, com os Penteado, "simbolizavam a casta economica e industrial de São Paulo, durante a Primeira Republica". com 357 pp., mapa, retrato.



Em 1868 Martinico casou-se com Albertina e passou a residir no interior do estado de São Paulo, cuidando das fazendas de seu pai, a Campo Alto e a Santa Cruz. O casal teve 12 filhos e, até mesmo na vida íntima, na criação das crianças, diferenciou-se do restante da família, pois sua liberdade e informalidade foram postas em prática. Os relatos da governanta contratada por Martinico para cuidar das crianças, a alemã Ina von Binzer, confirmam esses fatos. Os filhos tinham total liberdade no que diz respeito aos modos, como também na relação com os pais.

Esses aspectos do cotidiano deste personagem demonstram que o comportamento e os costumes desta família eram totalmente distintos do que era imposto pela sociedade para a educação dos filhos na antiga São Paulo imperial, como relata Levi:

Os Prado eram relativamente arrivistas entre a elite do século dezoito, e, nos últimos anos, podiam se permitir ver o orgulho quinhentista pelas origens heróicas com o mesmo estonteante cinismo que se tornou uma notável característica da família.

O ano de 1900 tinha começado em São Paulo com um acontecimento mundano que selava a aliança entre as duas dinastias que simbolizavam a elite económica e social da cidade no fim do século: o casamento entre a bela Eglantina, filha do Conde António Alvares Penteado, e o jovem António Prado Jr., filho do Conselheiro António Prado, prefeito nos dez anos áureos de São Paulo, entre 1898 e 1908.


Estudo acadêmico sobre importante clã da elite paulista, com estruturas familiares diferentes das normas da sociedade patriarcal a que pertencia.

O brasilianista Darrell Levi, em um estudo mais recente, fez uma investigação sistemática da família Prado. Que Eduardo Prado tenha sido um dos mais ricos cafeicultores do Brasil, e que ele foi também um empresário da cafeicultura, juntamente com o seu irmão Antônio Prado, que enriqueceram em grande parte graças às suas relações com o Império, além de serem proprietários de escravos em um Brasil marcado pelo regime escravocrata,não é nada assombroso. Levi afirma que o Segundo Império foi um período clássico para os Prado, uma era de grande êxito político e econômico da família, que começou a declinar no decorrer da Primeira República.

Levi, talvez tenha sido a sua pesquisa sobre A família Prado o mais sistemático e bem documentado estudo acerca daquela família. Algumas ideias apontadas por Levi merecem ser estudas por muito tempo ainda.


Desenvolve a idéia de que a família Prado, diferentemente da família patriarcal brasileira do estilo Casa Grande & Senzala, fazia parte de uma elite modernizante, o que abrangia uma relação ambígua entre o ser cafeicultor – com todas as suas implicações - e ao mesmo tempo, ser cosmopolita.

Nesse sentido, haveria uma espécie de “problema” da família que perpassava intelectuais como
Prado, a saber: como progredir e, ao mesmo tempo, conservar as tradições legítimas? (p.147).
As questões relativas ao tempo abordadas por Levi não pararam nessa dificuldade entre a
tradição e a modernidade da cultura brasileira. De acordo com o brasilianista, Eduardo, mais
do que qualquer outro Prado, “havia visto as raízes morais, filosóficas e mesmo familiares
de seu mundo sacudidas pelo advento da República. Ele viu minadas as fundações
culturais do Brasil: Deus, pátria e família estavam abandonados”

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Livro com reduzida e única tiragem, pouquíssimos exemplares se vê por aí, lindo livro em papel e ilustrações de boa qualidade, elaborado para a Famosa Coleção Imigração Italianaela própria Associação mantenedora.

a genealogia, como ciência não se restringe à investigação exclusiva de árvores nobiliárquicas, mas à reconstituição de todas as famílias, por mais modestas no sentido de buscar a contribuição pessoal na obra comum de engrandecimento da Pátria.


A genealogia é uma das mais belas e úteis ciências, quando cultivada em função da Terra e do Sangue.

A preocupação absorvente da Gleba e da Família, do apego ao chão e às tradições domésticas, fecunda as raízes das árvores genealógicas, que são áridas e frias, inexpressivas e mudas quando redundam em simples enumeração de ascendentes e descendentes.

Florescem os seus ramos, enfeitam-se de cor e de som, animam-se, enchem-se de vida, esmaltam-se de glória sentida e compreendida,quando investigamos nos alfarrábios e tiramos do pó o espírito dos antepassados, para viver suas existências, comungar suas dores, beber suas lições, impregnar-nos de suas virtudes e do heroísmo de seus martírios.

Se o brasileiro se apaixonasse pela sua Terra e pela sua Gente, pela comuna cuja gleba seus avós lavoraram, essa paixão longe de desenvolver qualquer regionalismo, lhe daria uma alta e humana compreensão da Vida, da verdade da História e do sentido cristão da Pátria – pátria admirável e bela, que é a mesma paisagem conhecida e amiga que nos habituamos a contemplar da janela da casa paterna e que nossos mortos levaram na retina para o seio da terra abençoada, pátria que é ossuário de....



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