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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Entre o Tempo e a Eternidade Ilya Prigogine & Isabelle Stengers fisica filosofia ciencia posmodernismo quantico biologia quimica etc



Entre o Tempo e a Eternidade

Ilya Prigogine & Isabelle Stengers

Companhia das Letras

1992

Livro em bom . 227 páginas, coda10-x3, escasso, não perca...




O criminoso volta sempre ao local do crime e com um prazer redobrado se o crime tiver sido perfeito. Um autor bem sucedido volta sempre ao mesmo livro.

"Entre o tempo e a eternidade", é um regresso ao " crime" já cometido em " A Nova Aliança", de 1979, pelo prémio Nobel da Química Ilya Prigogine e pela sua colaboradora, historiadora de ciência, Isabelle Stengers.

Volta a lembrar que o saber físico-químico não pode permanecer estranho à historicidade e a reclamar um papel para o tempo nas ciências modernas.

Trata-se de um regresso ao problema (sempre eterno!) do tempo. O tempo, no qual estamos mergulhados, corre do passado para o futuro, tal como um rio corre de montante para jusante. Há, evidentemente, o antes e o depois. A eternidade, que gostamos de imaginar, é um mar imenso, sempre igual, onde portanto está indefinida a diferença entre o antes e depois.

Ora, os físicos e químicos têm preferido, por razões de simplicidade, a eternidade ao tempo. O tempo que, abreviado por "t" aparece nas equações da física microscópica é afinal a eternidade. Trata-se de um tempo onde os objectos se podem mover tanto para trás como para a frente, onde o passado é, para todos os efeitos, equivalente ao futuro.

Mas os físicos e os químicos sabem bem que o tempo não é a eternidade. O passado é obviamente diferente do futuro. Recordamo-nos do passado mas não do futuro (só os profetas se recordam do futuro!), prevemos, ainda que dificilmente, o futuro mas não o passado (apenas na União Soviética, em tempos que já lá vão, se podia prever o passado!). Só no fim do século passado se conseguiu meter nas equações a diferença entre passado e futuro.

Estudavam-se os gases - recorde-se que a palavra "gás", hoje familiar, foi introduzida pelo químico Helmont no século XVII, com base no latim "chaos", caos - e suspeitava-se que eles eram feitos de moléculas. Um conjunto de moléculas distingue o passado do futuro, conhece o tempo.

Se se colocarem uma dúzia de moléculas de um lado de um recipiente, ao fim de um certo tempo estará em média meia dúzia de cada lado. Antes estão todas de um só lado. Depois ficam aproximadamente meia dúzia de cada lado, às vezes cinco, outras vezes sete, a maior parte das vezes seis. As moléculas têm tendência a distribuir-se uniformemente por tudo quanto é sítio.

Inventou-se um neologismo - a entropia - para distinguir o antes do depois: o sistema de moléculas tem mais entropia "depois" do que "antes". Num sistema isolado, a entropia nunca pode diminuir com o tempo e essa é a única grandeza que permite reconhecer o sentido do tempo. Mas será que uma molécula tem entropia?.

O problema e que uma única molécula só conhece a eternidade. Para ela não há passado nem futuro, uma vez que as leis da mecânica clássica não permitem essa distinção crucial.

O grande físico contemporâneo John Wheeler afirmou sarcástico:" Perguntem a uma molécula o que é o tempo e ela se rirá na cara!" Porque é que então existe tempo para o grupo enquanto o indivíduo só conhece a eternidade?

Esta questão perturbou o físico austríaco Ludwin Boltzmann, no século passado, e continua, passados cem anos, a perturbar Prigogine. Boltzmann tentou estabelecer uma ponte entre a mecânica clássica microscópica, baseada na eternidade, e a mecânica macroscópica, onde o tempo é nítido. Não o conseguiu. Há quem diga que ao seu suicídio não seria estranho o fracasso das suas ainda que esclarecidas e persistentes tentativas. O drama de Boltzmann provocou contudo, embora ao retardador, o nascimento de um ramo moderno da física: os sistemas complexos (vulgo caos). Entretidos com outros ramos que despontaram com o século (a mecânica relativista, a mecânica quântica), os quais, à imagem e semelhança da mecânica antiga só conhecem a eternidade, os físicos foram adiando o problema do tempo e só recentemente tiveram ensejo de lhe voltar a pegar. Se agora se fala tanto em caos, convém lembrar que ele remonta a Boltzmann e ao seu adversário Poincaré: Boltzmann queria desesperadamente o tempo e Poincaré, com o seu paradoxo da recorrência, oferecia-lhe a eternidade. Poder-se-á dizer que há três físicas modernas, todas elas contemporâneas do século: os quanta, a relatividade e os sistemas complexos.

São frutos tanto de intuições e triunfos como de desilusões e fracassos.

Prigogine tem sobre Boltzmann a vantagem de um século de física, de química e de biologia e das relações que entretanto surgiram entre essas disciplinas. Se a biologia é a continuação da física-química, necessário se torna explicar a temporalidade dos seres vivos.

Como Boltzmann, Prigogine persegue uma explicação microscópica do tempo. Como Boltzmann, autor dos "Escritos Populares" ("Populäre Schriften"), Prigogine gosta de discorrer para o grande e para o pequeno público. Prigogine e Stengers partem de uma permissa. A explicação microscópica do tempo deve ser unificada. O tempo ou está em todo o lado ou não está em parte nenhuma. Partem também de uma intuição clara de que é fácil comungar: o tempo existe.

A mecânica clássica escondia o tempo, mas hoje sabe-se que ele estava lá. As modernas teorias do caos chegam para esclarecer a existência objectiva (estranha ao observador e à grosseria da observação) do horizonte temporal. Existem, contudo, ainda dificuldades com as mecânicas relativisticas e quântica. Prigogine e Stengers não as ignoram porque, para eles, o tempo tem de estar nas mecânicas todas. Com os modelos cosmológicos da relatividade geral, Einstein cometeu a maior trapaça da sua vida. Inventou o truque chamado "constante cosmológica" para impor um universo eterno, um universo-pasmaceira, sem tempo nem história. Hoje sabe-se que as equações comológicas, libertas desse truque baixo, permitem universos que se abrem e que se fecham. Como permitem tudo, o melhor é olhar para o nosso universo e ver como é: vê-se que este universo está em expansão. Invoca-se por isso uma condição inicial muito particular - O Big Bang ou Grande Estrondo - para meter o tempo no universo. O Grande Estrondo é o autor do tempo. A mecânica quântica, por seu lado, é um princípio reversível. No entanto, persistem problemas associados à intervenção externa do observador, que causa irrervesibilidades. Esse facto constitui uma pista para meter o tempo no átomo.

Trata-se certamente de uma pista bem estranha: o observador quântico é, de certo modo, o "autor" do tempo. Está por concluir a união da mecânica quântica com a relatividade geral e o começo dos tempos foi fruto dessa união ainda por legalizar. Pouco se sabe, portanto, sobre os instantes mágicos do início a não ser o próprio facto de que houve início.

Tarefa pois ingrata a de Prigogine e de Stengers: descobrir o tempo por umas simples pistas avulsas e fragmentadas. Os céus associam-se, em todas as mitologias à eternidade. A Terra ao tempo e à mortalidade. A física foi construida com Newton e Einstein à imagem dos céus. É já tempo de assentar os pés na terra, de reconhecer o papel primordial do tempo e de o incorporar na nossa ciência. "A Nova Aliança" era um manifesto em defesa do tempo, do seu papel construtivo, e da nova reordenação dos saberes humanos que a percepção da temporalidade implica. "Entre o tempo e a eternidade" é um adiamento, onde de uma forma mais factual, se fundamentam e actualizam algumas das ideias da obra anterior.

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